quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Nossas meninas cresceram... e nossas histórias, também!


Os contos de fada que nos acalentaram enquanto crianças não vão ficar esquecidos na infância. O interesse dos grandes estúdios de Hollywood parece estar só começando. Na esteira do sucesso dos super heróis, as animações fantásticas de duendes e fadas, princesas e maldições, música e finais felizes estão se transformando em produções milionárias.
Mocinhas e vilãs consagradas pela Disney ganham vida com atrizes estelares, como Drew Barrymore, Anjelica Huston, Julia Roberts, Angelina Jolie, Charlize Theron e Emma Watson. Os roteiros não seguem - e nem poderiam seguir - as clássicas histórias desenhadas. Cinema em tempos 3D  pede reviravoltas, prequelas, revivals, avanços no tempo e múltiplos pontos de vista. Confira algumas adaptações mais antigas, outras mais recentes, e o que vem por aí.

PARA SEMPRE CINDERELA

A rainha da França solicita a presença dos Irmãos Grimm no palácio e lhes conta que gosta muito da obra deles, mas que ficou espantada em como foi contada a história de Gata Borralheira. Assim, decide lhes narrar o que realmente aconteceu na França do século XVI, quando Danielle de Barbarac (Drew Barrymore), sua tataravó, que ficou feliz aos oitos anos quando seu pai (Jeroen Krabbé), um aristocrata viúvo, se casou novamente com uma baronesa (Anjelica Huston), pois assim ela ganhou uma mãe e duas irmãs no mesmo dia. Mas a sonhada felicidade durou muito pouco, pois logo depois seu amado pai morreu subitamente e a madrasta, que ela desejava que fosse a mãe que nunca tivera, passa a tratá-la como uma criada. Uma das filhas da baronesa é bondosa e não concorda com várias atitudes da mãe, mas por outro lado a outra filha é bastante egoísta e só pensa em se casar com o príncipe herdeiro (Dougray Scott). Para isto ela tem total apoio da mãe, que está disposta a conspirar, mentir e fazer o necessário para ver sua filha como a futura rainha. Mas ela precisa agir rápido, pois o príncipe conheceu Danielle e os dois estão apaixonados, com os sonhos de grandeza da baronesa podendo serem frustrados, pois sua enteada e o príncipe estão sendo aconselhados por ninguém menos que Leonardo da Vinci (Patrick Godfrey). 

Direção: Andy Tennant
Elenco: Drew Barrymore, Anjelica Huston, Dougray Scott, Patrick Godfrey,
Megan Dodds
País de origem: Estados Unidos
Ano: 1998


FLORESTA NEGRA
Lançado em 1997, com Sigourney Weaver e Sam Neil, o filme foi promovido com o seguinte lema: "O conto de fadas acabou". O longa recebeu diversas críticas, porém é elogiado por permanecer com as mesmas fórmulas sombrias, que estiveram presentes na versão original da história, onde a protagonista se chama Lilli. Para mim, a onda começou com esta adaptação.



“- Conte-me uma estória, Nannau.
- Coloque seus dois pés junto aos meus, e aí veremos.
- Conte-me, Nannau, por favor.
- Tudo bem,deixa eu tomar fôlego. Um dia, não muito tempo atrás, sua mãe estava sentada à janela,olhando para a neve e de repente, ela furou seu dedo com a agulha! E seu sangue espalhou-se sobre a neve, e ela olhou e pensou: ‘Gostaria de um menininho’.
- Uma menininha, Nannau.
- Continue você. Conhece a história melhor que eu.
- Uma menininha com cabelo tão negro quanto o ébano da janela, e pele tão branca quanto a neve e lábios tão vermelhos quanto o sangue.”

A mãe de Lilly morreu ao dar a luz, e ela cresceu os primeiros anos de sua vida sozinha com o pai, que a amava muito. Lord Hoffman, mesmo amando muito sua falecida esposa, ainda quer um herdeiro masculino e se casa com Claudia, uma mulher de origem misteriosa que tenta de todas as maneiras conseguir a atenção de Lord Hoffman e dar a ele um filho para que possa ter consolidado o seu poder junto ao marido. Mas Claudia não tem mais motivos para temer, pois depois de muito tempo finalmente conseguiu engravidar e está cada vez mais nas graças do marido, apesar de sua turbulenta relação com Lilly. Um dia, numa festa dada por Hoffman para comemorar a vinda de seu futuro filho, Lilly encontra um vestido de sua mãe num sótão, e vestindo-se com ele e durante a festa passa a ser o centro das atenções, e roubando a cena de Claudia que passa mal e entra em trabalho de parto prematuramente. Claudia perde o filho e dizem que ela não poderia mais engravidar. Amargurada, vingativa e sentindo que tudo que tinha conquistado com Hoffman se perdeu já que não poderia ter mais filhos a ele, Claudia culpa Lilliana e resolve mata-la.  Claudia ordena que seu irmão a mate, mas ele vacila e Lilly acaba fugindo para a floresta sendo encontrada por mineiros. Lord Hoffman passa a procurar obsessivamente sua filha, fazendo com que Claudia tome medidas drásticas para tentar manter o poder que conseguiu, não importando quem se colocasse na frente, enquanto Lilly tenta voltar para casa e desmascaras a madrasta.

Título Original:  Snow White: A Tale of Terror
Tempo de Duração: 100 minutos 
País de origem: EUA
Ano:  1997
Direção: Michael Cohn

Sigourney Weaver (Lady Claudia Hoffman)
Sam Neill (Lord Friederick Hoffman)
Monica Keena (Lilly Hoffman)
Gil Bellows (Will)


A história da Branca de Neve realmente conquistou os produtores hollywoodianos. Tanto que, o conto de fadas inspira dois lançamentos neste mesmo ano:


O primeiro ("Mirror Mirror", título original) adiciona uma boa pitada de humor à versão tradicional. Lily Collens é a protagonista do longa, que contracena com Julia Roberts, que vive a Rainha Má. Além de apostar em um lado humorístico, a história dos Irmãos Grimm ganha uma princesa que deixa a fragilidade de lado para lutar pelo homem que ama; já que no enredo, o príncipe é seduzido pela vilã. A direção é de Tarsem Singh e o figurino é assinado por Eiko Ishioka, o último trabalho da artista japonesa que faleceu neste ano.


















Em contrapartida, "Branca de Neve e o Caçador" ("Snow White and the Huntsman") é mais sombrio e tem um apelo adulto. No filme, Kristen Stewart (a Bella da saga Crepúsculo) vive a Branca de Neve, mas assim como em "Espelho, Espelho Meu", em uma versão mais corajosa. Tanto que as cenas de ação protagonizadas pela atriz lhe renderam o rompimento de um ligamento em outubro de 2011, o que atrasou as gravações. 
A Rainha Ravenna é interpretada por Charlize Theron, que segue a trama do conto da animação da Disney, em que a vilã encomenda a morte da enteada a um caçador (Chris Hemsworth, o Thor). O plano, no entanto, começa a fracassar quando o homem se torna aliado da menina. A direção é de Rupert Sander. A produção da  Universal Picture custou algo em torno dos 70 milhões de dólares.

A GAROTA DA CAPA VERMELHA

A história famosa da garotinha que levava uma cesta de mantimentos para a sua avó quando se perdeu na floresta, correndo o risco de ser devorada pelo lobo, também ganhou uma versão para o cinema.  Como uma Alice da idade média, a protagonista vivida por Amanda Seyfried, cresce alguns anos. Ela é a jovem Valerie, que vive em um vilarejo aterrorizado por um lobisomem. Em meio aos perigos que rondam o local, o filme ainda conta com um triângulo amoroso entre a garota, o homem que ela ama e o noivo escolhido por sua família.
O filme é voltado para o público juvenil. A produção da Warner Bros. custou aproximadamente 42 milhões de dólares e foi lançado em abril de 2011.
Há muitos anos, o vilarejo de Daggerhorn mantinha-se em paz. Com a morte da irmã mais velha de Valerie  o local é tomado por pânico. A coisa fica pior depois que o famoso caçador de lobisomens, o Padre Solomon chega ao local, alertando a todos que a fera ganha forma humana de dia, podendo ser qualquer um deles. Sua irmã, que havia saído para se encontrar com o joven Henry, é atacada pelo lobo. De casamento marcado com o amor da vida da sua irmã, Valerie precisa lutar para conseguir se manter com Peter, o seu verdadeiro amor. Falar mais estragaria as surpresas que a narrativa nos apresenta.
A Garota da Capa Vermelha não foge a fórmula das mocinhas indefesas. Mas é preciso lembrar que a história se passa há séculos, e não só a ambientação, como o comportamento dos personagens deve ser verossímil.
Interessante é perceber que crescemos escutando versões suavizadas (veja próximo post) da fábula de Chapeuzinho vermelho, que servia de alerta às jovens ingênuas para os perigos que a vida oferecia. O filme flerta com a aura do medo, através de elementos universais como a capa, a floresta e o lidar com o inesperado: um lobo que consegue falar com a protagonista. Entre tantas interpretações, duas delas cabem ser ressaltadas neste texto, que é o fato da fábula representar o medo diante do desconhecido e a dúvida diante do fato de que o mal representado pela figura do lobo pode ser alguém muito próximo a você. Neste caso, o que fazer? Esse é o diferencial do filme, que aborda de maneira inovadora a fábula universal da menina que sai pela floresta para levar doces para a sua vovó. Na trama, por sinal, a vovó é apenas chamada por este vocativo, não tendo o seu nome representado na personagem.
 A Garota da Capa Vermelha traz Leonardo Di Caprio como um dos produtores executivos, numa trama guiada por Catherine Hardwicke, responsável por assinar a direção de Crepúsculo e Aos Treze, e que desta vez, comanda a brincadeira que traz os canônicos Gary Oldman (como o padre Solomon), Virgina Madsen (como a mãe da personagem que intitula o filme), Max Irons (do recente O Retrato de Dorian Gray) entre outros.

JOÃO E MARIA CAÇADORES DE BRUXAS

 
Baseado no conto dos Irmãos Grimm Hansel and Gretel, o filme se passa após 15 anos do traumático incidente onde João e Maria quase foram comidos pela bruxa malvada na casa de doces, porém agora eles se tornam caçadores de bruxas, dando um fim as velhinhas malvadas que comem crianças atraídas pela casa de doces.  O prefeito de Augsburg chama os irmãos para caçarem uma bruxa demoníaca que planeja sacrificar quantas crianças conseguir na próxima lua cheia, so que agora eles encontrarão inimigos jamais vistos antes.
O filme é dirigido por Tommy Wirkola que divide o roteiro com Dante Harper e tem no elenco Jeremy Renner (o Gavião Arqueiro d'Os Vingadores) no papel de João (Hansel), Gemma Arterton (Príncipe da Pérsia) no papel de Maria (Gretel), e Famke Janssen, a Jean Grey da trilogia "X-Men".
 
Estreia em 13 de janeiro nos EUA e em 25 de janeiro de 2013 no Brasil


A BELA ADORMECIDA



Depois de ter versão até em novela da Globo aquele que é, a meu ver, o clássico dos clássicos da Disney, o conto de fadas da princesa Aurora também vai estrear nas telonas. Mas na versão da roteirista Linda Woolverton, a história será contada do ponto de vista da bruxa, Malévola, que ganha o título do filme, "Maleficent" e a interpretação de ninguém menos que Angelina Jolie. A atriz revelou em entrevista recente que a personagem não é necessariamente uma vilã, mas uma pessoa com muitas questões a serem resolvidas: "é uma boa mensagem dizer, 'vamos ver o outro lado das coisas'. Mas também nosso desafio será não simplificar, não simplesmente contar a história reversa, mas contar uma história maior que também não acuse a princesa Aurora". Difícil vai ser a missão de Elle Fanning, irmã de Dakota, não ser obscurecida ou totalmente eclipsada pela força da antagonista.  A nota cor de rosa é que a caçula de Angelina, a fofíssima Vivienne Jolie Pitt vai viver a princesinha provavelmente na cena do batizado. Mãe amaldiçoando filha, só mesmo em Hollywood!! 
A direção é de Robert Stromberg. O figurino segue a direção de arte do desenho, ambientado na Idade Média. Aguardamos ansiosamente.

A BELA E A FERA



Com Emma Watson no papel de Bela, o conto de fadas da princesa que se apaixona pela Fera deve chegar aos cinemas em 2013. Segundo o site Coming Soon, o diretor Guilhermo Del Toro (de "O Labirinto do Fauno") será o responsável pelo filme "Beast".
O roteiro terá assinatura de Andrew Davies, que fez "O Diário de Bridget Jones".
Vale ressaltar, no entanto, que a previsão é de que o filme seja um sucesso, pelo apelo da história. Recentemente, a animação da Disney de 1991 foi lançada em versão 3D e quebrou recordes de bilheterias, arrecadando mais de 380 milhões de dólares em todo mundo.
E com a presença de Emma, conhecida do público pela saga de Harry Potter, o conto deve agradar a um grande público.

E voce? Arrisca um palpite sobre qual será a próxima princesa de carne, osso e cromakey?  

Ps: Aguardem próximo post com outras adaptações dos contos para a telona, entre eles, as inúmeras versões de Peter Pan!

sábado, 14 de maio de 2011

Toda princesa tem a bruxa que merece

Uma imagem intrigante: as princesas da disney, reunidas, e vestidas como as respectivas vilãs que atazanam a vida delas:
A sensual Jasmine era uma versão feminina de Jafar
A doce Branca de Neve no traje de luxo da Rainha Má
A esperta Mulan usava a roupa de Gengis Khan
Cinderela envergava o vestido da Madrasta
Aurora estava quase irreconhecível com os chifres de Malévola...
Até Pocahontas usava a roupa do conquistador espanhol!
Bela trocou o vestido pelas botas de Gaston,
e Ariel nem de longe lembrava a doce sereia usando o negro vestido de Úrsula, a bruxa do mar..

Será que elas se divertiriam na pele das vilãs que atormentaram a história, ou - como diz o espelho mágico - que fizeram a história?
E fiquei pensando... genial! Como ninguém pensou nisso antes?
O que é a mocinha, senão o exagero do belo e do bom, desprovida da “malícia” necessária à sobrevivência na selva de pedra – do mundo encantado ou do real, não importa.

Princesas personificam tão radicalmente o bem absoluto que neutralizam toda e qualquer tentativa de humanidade. Ninguém é tão boazinha assim! Rebelde, corajosa, mas sem um pingo de realidade!

Mas sejamos sinceras: mesmo no Reino Encantado, quem, com seus 15 ou 16 anos, aceitaria uma maçã de alguém tão estranho?
Quem espetaria o dedo em uma agulha? Prá ver se dói?
Quem se submeteria a uma madrasta?
Quem trocaria a voz por uma promessa de felicidade?

Todas nós. Porque a verdade é que nos sentimos atraídas pelo lado escuro da Força. Porque reconhecemos em Malévola, Rainha Má, Úrsula, Gaston, Jafar, Madrasta e Gengis Kan características que nos faltam. São nossas metades, nosso ponto de equilíbrio, são a parte que falta a essas garotas.

Assim, como são, elas se consolidam em um status privilegiado, inatingível e balizador: quem nunca se pegou desejando o conto de fadas, o beijo do despertar, a ajuda num passe de mágica, o final feliz para sempre? Nunca? Nem uma vez?

Oh, não, não me entendam mal: tenho imenso carinho por elas, com toda certeza, tenho mais delas em mim do que gostaria. Mas também tenho que admitir que admiro certas características das antagonistas.
Bem que eu queria ver na Cinderela a astúcia da Madrasta,
Na sereia, o senso prático da mulher de negócios que é Úrsula,
Em Branca de Neve, a coragem de apostar alto como a da Rainha Má,

Longe de mim questionar narrativas seculares. As versões açucaradas que chegaram até nós cristalizam o triunfo do bem. Pelo menos, é assim que deveria ser. Vamos deixar que as crianças, pelo menos durante o tempo da fantasia, tenham seus coraçõezinhos aquietados com a certeza de que o bem sempre vence o mal no fim. Embora não pareça, finais felizes são cada vez mais necessários hoje em dia.

Mas bem que seria divertido imaginar que, após o confronto com as vilãs, nossas heroínas saíssem dessa experiência fortalecidas, com uma lição aprendida: jamais subestime o inimigo, e sempre que puder, aprenda com ele. Pelo menos, a se defender melhor numa próxima vez.