Uma imagem intrigante: as princesas da disney, reunidas, e vestidas como as respectivas vilãs que atazanam a vida delas:
A sensual Jasmine era uma versão feminina de Jafar
A doce Branca de Neve no traje de luxo da Rainha Má
A esperta Mulan usava a roupa de Gengis Khan
Cinderela envergava o vestido da Madrasta
Aurora estava quase irreconhecível com os chifres de Malévola...
Até Pocahontas usava a roupa do conquistador espanhol!
Bela trocou o vestido pelas botas de Gaston,
e Ariel nem de longe lembrava a doce sereia usando o negro vestido de Úrsula, a bruxa do mar..
Será que elas se divertiriam na pele das vilãs que atormentaram a história, ou - como diz o espelho mágico - que fizeram a história?
E fiquei pensando... genial! Como ninguém pensou nisso antes?
O que é a mocinha, senão o exagero do belo e do bom, desprovida da “malícia” necessária à sobrevivência na selva de pedra – do mundo encantado ou do real, não importa.
Princesas personificam tão radicalmente o bem absoluto que neutralizam toda e qualquer tentativa de humanidade. Ninguém é tão boazinha assim! Rebelde, corajosa, mas sem um pingo de realidade!
Mas sejamos sinceras: mesmo no Reino Encantado, quem, com seus 15 ou 16 anos, aceitaria uma maçã de alguém tão estranho?
Quem espetaria o dedo em uma agulha? Prá ver se dói?
Quem se submeteria a uma madrasta?
Quem trocaria a voz por uma promessa de felicidade?
Todas nós. Porque a verdade é que nos sentimos atraídas pelo lado escuro da Força. Porque reconhecemos em Malévola, Rainha Má, Úrsula, Gaston, Jafar, Madrasta e Gengis Kan características que nos faltam. São nossas metades, nosso ponto de equilíbrio, são a parte que falta a essas garotas.
Assim, como são, elas se consolidam em um status privilegiado, inatingível e balizador: quem nunca se pegou desejando o conto de fadas, o beijo do despertar, a ajuda num passe de mágica, o final feliz para sempre? Nunca? Nem uma vez?
Oh, não, não me entendam mal: tenho imenso carinho por elas, com toda certeza, tenho mais delas em mim do que gostaria. Mas também tenho que admitir que admiro certas características das antagonistas.
Bem que eu queria ver na Cinderela a astúcia da Madrasta,
Na sereia, o senso prático da mulher de negócios que é Úrsula,
Em Branca de Neve, a coragem de apostar alto como a da Rainha Má,
Longe de mim questionar narrativas seculares. As versões açucaradas que chegaram até nós cristalizam o triunfo do bem. Pelo menos, é assim que deveria ser. Vamos deixar que as crianças, pelo menos durante o tempo da fantasia, tenham seus coraçõezinhos aquietados com a certeza de que o bem sempre vence o mal no fim. Embora não pareça, finais felizes são cada vez mais necessários hoje em dia.
Mas bem que seria divertido imaginar que, após o confronto com as vilãs, nossas heroínas saíssem dessa experiência fortalecidas, com uma lição aprendida: jamais subestime o inimigo, e sempre que puder, aprenda com ele. Pelo menos, a se defender melhor numa próxima vez.
